domingo, 10 de agosto de 2014

O homem da minha vida

Existe nessa vida, um grande homem para mim.
Um homem que me deu seu sobrenome, e que junto dele
Me carregou de traços, trejeitos e manias.

Este homem me carregou no colo.
Modelou sem saber meu jeito de encarar a vida
e que incrustou valores que nem reparei de onde vieram
mas que sempre estiveram ali, em mim, de forma praticamente inata.

Um homem que me ajudou a me formar como ser humano
seja aos com seu convívio, sua companhia e suas histórias
ou marcando sua presença na falta que me fez
e esta falta, sempre assim, tão imensa
mas que resultaram meus maiores ensinamentos. 

Foi um homem que me mostrou muitos caminhos.
Alguns tão certos, e outros tantos que não devo seguir.
Mas sempre me mostrando na prática
o que se pode ser alegre no pouco
e pequeno ou vazio no muito.

Sim, ele é o homem da minha vida.
Não o único, nem exclusivo, mas o primeiro. 
E este homem é meu sangue. Meu sobrenome. 
É minha alegria, minha tristeza, minha história e também a ausência dela. 
Este homem é meu pai. 

Reconheço a presença dele, ainda hoje, nos meus gestos
Na minha preferência musical, que herdei como um presente
Na combinação estranha de sabores, aromas e prazeres
Na alegria de dizer sim àqueles que amo
Na dificuldade em deixar escorregar um não, pelo canto da boca
Na teimosia que se tem com aqueles que teimam com a gente - e só com eles
No orgulho de não procurar o outro primeiro
Traço tão meus, mas que são tão seus.

Às vezes, em silêncio, me pergunto
O que teria sido de mim se esse pai fosse diferente?
Se duplicasse seus acertos, se extinguisse seus erros, 
No que teria me tornado, que caminhos teria percorrido?

Não sei.

Talvez não tivesse o medo de dar passos mais largos
Ou quem sabe me acostumaria com a proteção dos passos pequenos. 
Não posso mensurar se hoje sou melhor ou pior por você. 
Mas sou isso. Seu fruto. E gosto do que vejo, do que sou. 
E se fosse me dada a chance de escolher outro pai
Escolheria escolheria o mesmo homem novamente.
Do mesmo jeito. Da mesma forma. 
Por mais dez, mais cem, mais mil vezes... 

E nessa brincadeira de espelho de gerações
Nessa herança de aprendiz
Nessa repetição de gestos e atitudes
Só gostaria de poupar meus futuros filhos de uma dor
Que ele também deixa , esse bandido:
A dor da saudade.


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