sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Um dia

Não desejo a morte
nem doenças horrendas
que acabe com teu cerne
sequer mantenho o desejo
de que desapareças dos meus dias

Meus caminhos
tão meus e tão tortos
posso escolher sem vê-lo
sem tocá-lo e sem segui-lo

Meus planos refaço sozinha
escolho, conheço e desconheço
entorto, endireito, sigo em frente
floreio e me sobreponho
erro e acerto
mas não limito minha geografia
exploro e sumo, mas sempre volto

Tenho minha casa e meus amigos
uma cerveja e dois tragos
tenho conversas, tenho bocas
tenho vontades e desejos
e ainda escrevo
sobre mim
sobre ti
sobre aquilo que invento
ou que disfarço não existir

Penso ter controle sobre tudo
controle da vida, das horas, das coisas
mas não controlo o meu sentir
se algo paralisa, interrompe meu andar
eu fujo e saio e corro e desvio
e agora explica, como se desvia da sombra?

Sentimentos
atraem
regressam
complicam
sabotam
até (me) matam

Mas sei que um dia
somem.

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