Agito meus pés no ar como quem os banha num rio. Olho o abismo, e ele já não me assusta como antes. Ainda não sei exatamente o que fazer com as cascas da laranja, mas a consciência diz que não é certo jogá-las abaixo. Ainda assim, penso quanta beleza teria no simples cair das cascas abismo abaixo, em queda-livre. Aceito o desconhecido, não nego mais a existência. Por isso talvez não me tenha causado vertigens. Ainda. E talvez por este motivo ainda ainda consiga sorrir nessas situações absurdas da vida. Confesso, continuo perdida, mas a certeza de que não há porque se encontrar me deixa um pouco mais tranquila. Vejo neste momento o Sol se pôr pelas minhas costas, e penso que valeria o registro para um retrato. Penso, mas não me viro. Respiro fundo e fecho os olhos apenas, como quem dispara o flash. Continuo vivendo.
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