E o que sobra, por ora
é a vista múltipla desta janela
tantas memórias, olhares e nomes
de poucos personagens e muitos papéis
O que sobra agora são lençóis
ainda tão amarrotados e quentes
embolados entre cinturas e panturrilhas
junto a todo enredo igualmente emaranhado
Depois de tudo, enfim
sobram a lembrança dos lugares ocupados
e um fundo de armário, testemunha do abraço
entre o vestido e o terno, que ainda trocam perfumes
para que os dias sejam mais belos, para que caiam melhor
E embora belos, caíram. Os dias e os dois.
Não pelo quanto de cada ainda existia de fato,
mas sim pelo pouco que sobrava
[se é que ainda sobrava]
Pressentiram que não era
um ao outro que aguardavam
mas a si mesmos, como um resgate
pessoal, individual, unilateral
E no frio da noite, ao dormir
já não pediam mais abraços
apenas mais um cobertor.
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