Somos o que somos e se não fôssemos isso, seríamos qualquer outra coisa que teria de ser. A vida é um aglomerado de questionamentos que formam a ferro e fogo alguma coisa, que pode ser quente, pode aquecer, pode queimar, pode construir ou pode destruir. Eu, como dito em outras vezes, sou uma coisa que existe mais ou menos entre a metade de todas as coisas.
Eu escrevo aqui, ao som dos poetas que um dia cantaram ao meu passado, para uma garota que permanece sempre à janela de um quarto qualquer na rua com nome dos grandes heróis. Ela me fascina. Não faço mais o tipo romântico de outrora, mas nessa outra aurora foi aonde a conheci. Na verdade sem muita intenção.
Eu sou um cara confuso. Não vou mentir. Minhas questões me perseguem, tal qual o rato perseguido pelo gato faminto, em muitos momentos me sinto assim: joguete da vida. Mas, de novo, volto meu olhar à janela. Eu a admiro, ela nem desconfia.
Mas afinal qual é o desejo que viria lá do fundo e traria a paz? Eu te vejo ao longe e num lance de visão, assim de esguelha, percebo que talvez todas as respostas estariam no teu ventre nu, no qual eu me deitaria também nu. Os lençóis seriam brancos e de cetim, alvos como a paz que eu quero. Lá fora, um dia de domingo. O sol brilhando com uma luz e um calor que existiriam na medida de um sonho, na medida de um filme, quente para aquecer o coração de esperança, reluzente para iluminar aquele cantinho do quarto, no qual estariam nossas roupas jogadas. Ali jogado, teu riso entre covinhas seria a minha melhor paisagem. Mãos macias acariciariam meu cabelo bagunçado e eu em plena alegria de estar vivendo a brevidade da eternidade.
Afinal, que desejo é esse que consome e que vive ali alojado no tempo, escondido e latente? Acreditar no tempo é uma tentativa de felicidade. A esperança sempre me ajudou nos piores momentos. Eu pergunto: de que se vive nessa vida? Felicidade é coisa fugaz e que desconfio ultimamente, precisa de trabalho. Seguimos sonhando então?
Fica a questão.
U.G.
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