quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Lixo reciclável

Teu senhor que de noite te devora
pousa os olhos de dia em outrem
ele some entre as brumas, te ignora
vai embora, só ressurge se convém

Teu senhor que te alcunha, mucama
e que em troca lhe dá algum vintém
é o sustento da tua vida insana
uma vida que só, não manténs

Mulher! Vê se cala, não reclama
e a este homem te faça refém
teu senhor te maldiz por leviana
pois sem ele, mulher, não iria além

Teu senhor pede que não duvide
do amor que os teus roxos sustentam
e se esse teu melodrama a faz triste
é porque nutre em ti tal tormenta

Engole bem, mulher, toda esta trama
que esta dor que repele é afável
se antes lixo, teu senhor te fez dama
manequim que se expõe, reciclável. 

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