quarta-feira, 11 de março de 2015

Sobre as manifestações de 15 de março

Não sou petista. Dilma Rousseff não é meu exemplo favorito de presidência. Estou igualmente insatisfeita com o cenário político atual. Mas sinceramente? Não compactuo com essa movimentação patética contra o governo dela.

Se esta manifestação de domingo tivesse alguma coerência, não protestaríamos para punir um ou outro político, este ou aquele partido. Seríamos favoráveis à uma reforma política, e seguiríamos juntos com o objetivo de fiscalizar e denunciar todos os esquemas que criam condições para a corrupção.

Se os manifestantes confirmados neste domingo entendessem mesmo o que anda acontecendo na mídia, faríamos pressão por uma lei que regulamentasse a imprensa, para retirar e punir este jornalismo barato, mal feito e tendencioso, manipulado pelas mãos de oligarquias que controlam à mão de ferro o que vira notícia no nosso país.

Se toda essa revolta contra a presidenta tivesse fundamentação política séria, saberíamos que a corrupção não começou com o PT. O povo não bateria panela somente contra Dilma, mas também contra Alckmin, Eduardo Cunha, Renan Calheiros e tantos outros "membros vitalícios" do Congresso. E aliás, a verdadeira revolta seria contra aqueles que sequer foram investigados, como os já esquecidos casos da Alstom e do mensalão mineiro.

Penso que estas pessoas que estão se programando para ir às ruas neste domingo, fardados orgulhosamente com o tal do kit impeachment, sejam os mesmos que reclamaram dos aeroportos lotados quando o pobre começou a viajar de avião. Os mesmos que foram contra à regulamentação da profissão de empregada doméstica, que criticaram o programa "Mais Médicos". Que criticam as faixas exclusivas para ônibus urbano, as ciclovias, que dizem que metrô atrai gente diferenciada. Os mesmos que pensam que Bolsa-Família é coisa de safado. Estes que, ironicamente, continuam defendendo as mordomias do alto escalão.

Não vou à manifestação de 15 de março. Não por ser contra Dilma, contra PT, contra seja lá o que for. Não vou por ser uma causa apolitizada, uma causa sem coerência, sem lógica, uma causa sem causa. Não vou porque me recuso a participar de uma marcha que vai contra tudo o que acredito.


Nenhum comentário: