Certa vez, em uma conversa dessas de bar, um colega me contou que a gente sempre sabe exatamente quando o amor vai embora. Me falou sobre a história dele, e relatou que soube que o amor acabou quando ela entrou em casa e tirou o sobretudo, molhado da chuva, e penduro-o ao lado da porta. Ele não soube explicar, mas algo contido naquele gesto ordinário, naquela fração de segundo, fez com que se desse conta que o fim havia chego. E eu concordei. Existe uma hora determinada em que o estalo se dá, em que a luz se acende, e que entendemos (ou aceitamos) que não restam mais elos entre você e o outro.
E é nessa hora que a gente repara aquele sorriso triste nas fotos que antecedem sua partida. Um sorriso que foi amarelando com o passar do tempo, como reflexo do afastamento e da distância de interesses. Se olharmos bem, estas fotos carregam em si uma espécie de mensagem inconsciente, e acabam entregando a realidade do contexto que ali foi registrado. Seja naquela cara amuada que não conseguiu disfarcar, no olhar caído e fosco, ou no riso-meia-boca, feito criança que acabou de aprender a posar, a verdade é que o sinal de que a estrada chegou ao fim está ali, estampado bem na sua frente, e não vemos de imediato. Só nos damos conta depois, quando encerra, quando acaba e não há mais retorno.
E é nessa hora que a gente repara aquele sorriso triste nas fotos que antecedem sua partida. Um sorriso que foi amarelando com o passar do tempo, como reflexo do afastamento e da distância de interesses. Se olharmos bem, estas fotos carregam em si uma espécie de mensagem inconsciente, e acabam entregando a realidade do contexto que ali foi registrado. Seja naquela cara amuada que não conseguiu disfarcar, no olhar caído e fosco, ou no riso-meia-boca, feito criança que acabou de aprender a posar, a verdade é que o sinal de que a estrada chegou ao fim está ali, estampado bem na sua frente, e não vemos de imediato. Só nos damos conta depois, quando encerra, quando acaba e não há mais retorno.
Porque apesar dos pequenos sinais que nelas estão contidas, não são as fotos que dão a certeza do fim do processo. Somente no dia em que a garganta fecha, soterrada pelo vazio infinito, que a voz some, que e some junto com ela o desejo do diálogo e da troca, é que se percebe que o amor acabou. Como uma veia aberta sem torniquete, um vaso quebrado sem remendo, feito água em forma de gelo furada. No dia em que não houve mais nada a ser falado, nem assunto nem vontade, nem motivo para briga e nem razão para lutar, foi que meu amigo se deu conta de que havia chego ao fim. Com emoções resfriadas, nada mais a ser dito, o que sobra no peito é oco. E ao contrário do que dizem, não é a quantidade de sofrimento que define a chegada do fim. O fim se dá quando as palavras silenciam, adormecem. Porque a palavra é a última coisa que se ausenta quando o amor vai embora.
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