Essa falta que me deixas é como dor que não se localiza. Ausência, não sei de onde, não sei o quanto. Espaço que não se configura, que não se conceitua, imensurável. O que encontro em mim, pela intensidade dessa falta, por tantas vezes, perco. É como uma estrada sem sinalização, um labirinto, por onde recolho minhas partes jogadas, pedaços fragmentados de mim. Levastes a razão da minha integridade, e desde este instante tua ausência me assombra. Meu consolo é observar silenciosamente teus segredos, que em poucas frases me deixastes como legado. Existe nelas uma fragilidade que se dissipa pela cavidade do tempo... E é impossível negar, tudo isso é o teu ressurgir, sereno, aumentando sua falta em mim. Tu me roubas o que sou, me trazes com isso um mundo de possibilidades, uma nova e criativa forma de continuar. Um caminhar pesado, mas com passos contínuos. Um a um, sigo assim, em movimento.
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