quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Opressão

Não perdíamos tempo com o outro
sequer haviam trocas genuínas
seus dedos mal sabiam me tocar
e era raro quando me satisfazia

Tomar outros risos, outros ombros,
dormir em outras camas já era normal
era a arte do auto engano que nos cegava
pela falsa mágica do casual 

O silêncio era nosso escudo
que se quebrava somente aos sons da noite
e pela manhã, quebrava-se com ele
as expectativas de um outro rumo

Eu nunca lhe disse nada, emudecia
sempre achei tudo isso tão normal
num misto de submissão e necessidade louca
mas como era difícil falar qualquer coisa
com teu órgão opressor na minha boca

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