quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Ao nosso tempo

Se algum dia o encontrares, diga-lhe que o nosso tempo não acabou. Que eu ainda perco as horas sob a cama, absorta, recorrendo às memórias marcadas, ainda espalhadas pela colcha de anis. Que mesmo sem querer, ainda embaraço todos os fios entre nós, e apesar de ter perdido o fio da meada por conta dos nós que nunca me desfiz, ainda sei que o amor foi sempre o melhor novelo de suas mãos. Amor que minhas mãos ainda tecem. 

Se por acaso o encontrares, diga-lhe que o nosso tempo não passou. Que até me atraso vez ou outra, mas ele sabe que apesar deste atraso, nunca foi tempo demais. Que as estações que ele tanto detesta ter de contar, mas que continua contando as que nos separam, escondem minha nuca por detrás do cachecol xadrez que ele um dia me deu. Presente este que guarda secretamente todos os beijos que ali pousaram, em tantas outras estações geladas. 

Se a qualquer hora o encontrares, diga-lhe que o nosso tempo nunca termina. Que o tempo pode até fazer pequenas pausas, espaços estratégico dentre toda a infinitude destes dias ordinários. Mas que ao final, o nosso tempo sempre volta. Volta forte e viçoso, como se entre ele nunca tivesse existido intervalo de tempo algum.

Se em algum momento o encontrares por aí, diga-lhe que o tempo se encarrega do encontro. Se encarrega das estações, quentes ou frias. Dos intervalos de tempo infindos. Dos fios do novelo e seus nós. E de nós. 

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