A cidade se apropria
de uma pequena parte de nós
com todos os seus tons, suas luzes
feito rastilho aceso, sombra fundida
feito coisa qualquer que altere
o modo de perceber o mundo
e que modifique a escala do olhar
A cidade nos transforma
em enormes provincianos anacrônicos
portadores de pequenas doses de alegria
pelo entorno, pela forma, pelo movimento
de sempre voltarmos ao ponto de partida
fortemente piedosos
como quem tem alguma fé
em qualquer coisa nessa vida
Quanto a nós, que tivemos
estas pequenas doses de alegria repartida
pelo entorno, pela forma, pelo movimento
voltamos, enfim, ao ponto de partida
ao ver o que foi grande e o que foi pequeno
até mesmo aquilo que não tem tamanho
dentro da imensa cidade que habita.
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