segunda-feira, 6 de abril de 2015

Assassino

Mato a tela ao traçar-te no quadro
Mato o alimento ao montar o teu prato
Mato a tua nudez ao cobrir-te com o trapo
Mato o momento ao congelar-te em retrato
Mato o papel ao escrever-te poesias
Mato o silêncio ao tocar tuas melodias
Mato o meu corpo pra acabar com teu tédio
Mato a solidão e da união faço remédio
Mato a minha saudade ao encontrar-te na roda
Mato a liberdade ao prender-te à minha moda
Mato o bom senso ao render-me ao teu encanto
Mato o nosso amor ao deixar escapar o pranto
Mato o consolo ao desdenhar teu destino
Mato esse desejo, que de mim fez assassino.

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