sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Visita

Não lhe espero com flores nem promessas, nem mesmo a de filhos ao redor da mesa nos almoços de domingo. Minha representação de família resume-se a um retrato velho esquecido dentro da gaveta, e sobre o amor possível sei apenas o que li nos romances. Foram estes que me resgataram da desordem e deste ciclo infindável de ferir-se, cicatrizar-se e morrer aos poucos. Enquanto não chegas, me perco em lembranças ao olhar para a estante de livros que montaste na sala. Deixo aberta a porta da casa assim como a do coração, no desejo de que não demores do lado de fora. E quando chegares, não te escondas. Tire os sapatos que a visita será longa.
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